segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Ode a Walt Whitman

(Sempre quis escrever um poema sobre o capitão de Walt Whitman desde a primeira vez que o li, só que comum final feliz: vivo e guiando seus marinheiros, final talvez menos épico; mas certamente mais otimista.)

With open eyes, determined fist, here I go
To unsailed seas, unseen roads and although
I have brought nothing but my fragile soul
‘guess that´s exactly what it takes me to go.

Thy figure has inspired and conquered my fears
Thy fairness has resided in all that I hear,
All the battles I’ve fought, thy glory comes near
The victory of a small sailor brings out the cheer.

My captain, thou standst inside me and ahead!
Thou hath guided me in full darkness and despair,
Thy strength shall be there when I need it the most…

Hence if the horizon brings in news to regret,
once storms that mounted have summoned in the air,
They shall become firmness which thy soul bestows.

Delicadeza

Quando dizes: ‘vai-te agora, estou bem’,
Acredito; e vou-me indo também.
Aceno-te, sorriso sincero,
desejo-te o que há de mais belo,
Desvelo em cuidar do que prezo:
Inefável carinho - o qual vem
embalar-me em névoa mansa,
que, singela, lúcida, mas intuitiva,
emana livre do teu bem-estar
que se reflete, assim, no meu;
espíritos inquietos aflitos buscantes
encontram-se, por acaso, em
outras esquinas, distantes,
e abraçando-se, relembram
sozinhos, sorrindo, silentes,
delicadamente procuram
o conforto das almas afins.
E aquietam-se, então, sem lamento,
despedem-se em suave contento
do contato conhecido, querido
reencontro mais que sentido,
Aconchegam-se,
Respiram,
E de novo se vão.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Semente

Da terra fecunda nasce o impulso
Germina o grão, que dele se faz planta
Sem, entretanto, alterar-se-lhe o curso
O sinal único que a forma implanta.

Se a terra lhe jorra a seiva, sustenta
os mais íntimos desejos e encantos,
A raiz lhe firma o corpo e fomenta
A energia de pisar sobre os prantos.

Traz em si o âmago da potência
com que gera, servil, sublime lastro
Encontro inefável da matéria e Deus

Ao que promove, com toda coerência
Gentileza, força, fluidez e rastro
Que não me definem; quisera-os meus.

Simples desejos

Desejo ainda muito desejar.
(Grande pretensão, mas verdadeira;
sem grandes aspirações poéticas).

Desejo a contínua mudança:
falta de desejo é falta de vida.
Desejo ler muito, muito!,
refastelar-me em idéias e sentimentos
que podem mobilizar o pensar.
Desejo vibrar com pequenas coisas
e pequenos momentos, como uma
criança, sem a menor dificuldade.
Desejo esvaziar a mim mesma
de tudo o que já fui,
dos medos e concepções,
de inúteis perfeições,
para me encher de tudo
o que ainda posso ser,
como um grande vazio
de potencialidade(s).
Desejo escrever sobre muitas coisas,
sejam elas relevantes ou não,
sem o menor compromisso;
bem como desejo ler muitas coisas,
que provavelmente serão relevantes,
ainda que, muitas vezes,
imperfeitas.
E vibrar com um lindo soneto
de amor, por exemplo.
Desejo ver muitos filmes,
e adorá-los,
comendo pipoca meio
salgada e meio doce.
Desejo dançar num salão,
dançar com a música,
ou com alguém,
não importa.
Desejo que meus amigos
compartilhem as minhas descobertas
e as minhas gargalhadas.
Desejo, por fim,
que eu não deseje só pra mim.

(Seu desejo é uma ordem!
Diria o gênio...)

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Dois jovens amantes, lindos se amaram,
promessas fizeram de amor perdurar,
ingênuos que eram em seu desejar,
o Amor, por pouco, quase alcançaram.

Perdidos, porém, não viram passar
o Tempo, e com ele aos poucos deixaram
a paixão a que outrora se entregaram,
sem perceber a armadilha se armar.

Quando viram, já tarde, o tempo cruel
tirou-lhes a calma e os fez separar
o sonho do dia, trazendo à razão

dos dois a verdade; apenas paixão
que, tão intensa, lhes fez transformar
em lembrança o amor outrora fiel.

Desafinado

Ando sozinha, não sei
onde, ou porquê,
por aí me vou, sem fé.
Parece que não ouço.
O que dizer então,
se ainda não sei;
procuro, me pergunto,
onde estou, e você?
Que me dizes?
Nada (...)
Aguardo em silêncio.
Recebo um silêncio
sorridente.
Parece que também
já não sei falar.
Troco um olhar duvidoso,
misto de ‘quero’
e ‘não quero’,
quando tudo o que
queria de verdade
era um sim,
e não um se.
Um afirmativo grandioso
e luminoso,
sonoro, gargalhante,
pra se rir nas horas vagas.
Porém, reconheço,
nunca toquei lá muito
bem minha flauta;
ela sempre
desafinou no si.
Como havia de querer...?
Resta o silêncio
aos que, como eu,
não aprenderam a tocar.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

DR

Palavra tola, pensamento que apaga
Fio desgarrado de idéias ilusórias
Alimenta a infâmia de chagas provisórias
Que versam em dor, no outro, em nada.

Carece de fim, por vezes de meio,
Ainda que alegue rigor de verdade,
Ignóbil teia de falsa humildade,
Não chega nem perto, mas acerta em cheio.

Eis que, em meio ao grande vazio,
Sem fé, nem razão, mistério ou delícia,
Arrasa sem dó, pois que o óbvio expõe

Ao versar sobre pouco, beirando o fastio,
Ignora a razão de que se faz milícia
E o óbvio, então, em claro se põe.


PS do soneto: (Camões se revirando no túmulo - o pobre.)

Na falta da métrica e proporção adequada,
Surge mais uma estrofe arredia,
Posto que a maldita DR, um dia,
Serviu-me mais do que a falta alegada!