Hoje, lá na rua, volitando
seguia eu com meu sorriso
contraído; vinha andando,
de outro tanto me indagando
sobre meu pouco tempo vivido.
Tanto tempo que se perde...
Pois vejo a mente divagando
no passado, presa; ora inerte,
ora só de tudo lamentando,
como se nada mudar pudesse.
Quisera todo mundo soubesse
que passado é de outro tempo,
não é mais; e, assim, fizesse
do presente bendito momento,
o viver agora, o que houvesse.
'Por que não?' - então, eu me diria -
'Poderia aqui apenas viver?'
Pois com laços do passado faria
uma linda rede pra tecer
a incrível, mágica tapeçaria:
que apagasse as mágoas e dores
apertos, solidão, menos-valia,
dúvida, saudade, ou agonia,
tristeza, ansiedade e pudores...
toda a caixa de apegos que se cria.
Vôo alçando, em cor e fantasia
de um presente colorido e sutil
sem espera, fôrma ou garantia -
apenas de que a alma é mais gentil
quando, destemida, se irradia.